Grande Entrevista: Fernando Azeitona


Grande Entrevista a Fernando Azeitona - Presidente da Junta de Évora de Alcobaça


Fernando Azeitona é Presidente da Junta de Freguesia de Évora de Alcobaça. Foi o rosto que pela primeira vez deu a vitória por maioria absoluta ao PS. Atento às necessidades de quem habita a região, implementa uma postura virada para as pessoas que considera o património mais precioso.


Onde nasceu e cresceu?
Nasci cresci e habito no lugar de Capuchos, freguesia de Évora de Alcobaça.

Quantos habitantes tem a freguesia?
Tem cerca de 4500 habitantes.

Quando despertou para a política, como é que esse caminho se fez até ao presente?
Tudo aconteceu naturalmente. Estive ligado ao movimento associativo pois sempre me interessou a causa publica. Nas autárquicas de 2001 fui convidado pelo PS para fazer parte da Lista, para a Assembleia de Freguesia de Évora como número 2, em 2005 interrompi, em 2009 voltei a ser candidato como cabeça de lista, perdi, em 2013 perdi de novo e fizemos coligação com o PSD, que não tinha maioria. Nas últimas eleições em 2017 voltei a ser candidato e fui eleito com maioria absoluta. O PS nunca tinha ganho qualquer eleição em Évora.

Relativamente às suas preocupações como Presidente há alguma que queira destacar?
Não temos uma freguesia problemática. A desertificação é uma preocupação transversal a muitas freguesias. A população tem decrescido ligeiramente mas acompanha os números a nível nacional. Mas para ter pessoas temos de ter outras infraestruturas e emprego. Temos uma rede de transportes razoável, jardins de infância e escolas perto. A Junta de Freguesia estende-se por uma área grande com cerca de 44 Km e é habitada em toda a sua extensão ou seja é bastante dispersa não apresentando propriamente um núcleo habitacional mas vários.

A Freguesia é bem servida no que diz respeito aos serviços de Saúde disponíveis?
Temos aqui no edifício da Junta de Freguesia uma extensão de saúde com um médico de família. O Hospital de Alcobaça a 5 km, que aqui correspondem a 5 minutos, além da Policlínica da Benedita também a escassos kms, portanto julgo que as pessoas estão bem servidas.

Se lhe fosse concedida a possibilidade de ter um desejo concedido para a sua Freguesia o que escolheria?
Uma das minhas ambições é fazer a requalificação do centro histórico de Évora. No anterior mandato já foram adquiridos alguns imóveis e estamos a tentar adquirir outros que queremos recuperar. Gostava de criar aqui uma praça que dê outra dignidade à Freguesia. Em suma temos a obrigação de requalificar o riquíssimo património que pertence a Évora.

Fale-nos então desse património
A Igreja Matriz, a Igreja da Misericórdia, o Convento dos Capuchos. Obviamente que o maior património é o humano e esse será sempre o mais importante mas não podemos esquecer a natureza. Uma parte da Freguesia situa-se na Serra de Aire e Candeeiros – que oferece uma paisagem majestosa que temos de tentar promover e divulgar.

E em termos económicos, há empresas importantes na Freguesia?
Duas das maiores associações de produtores de fruta (maçãs e pêras) do país situam-se na nossa Freguesia. Temos vinhos de excelência com vários prémios internacionais conquistados. A produção florestal e a suinicultura também têm uma presença forte na área da Freguesia. Na área do turismo também temos algumas ofertas bastantes interessantes.

 “Tenho como máxima, nunca prometer o que não se consiga cumprir. Temos de ter uma noção de compromisso com os nossos eleitores e com todos os outros habitantes.”

Qual a sua opinião acerca do contínuo decréscimo de confiança na classe dirigente e política que vamos assistindo em Portugal?
As redes sociais tornaram-se uma realidade e não as podemos ignorar, nem deixar de ter em conta que apresentam um lado perverso onde abundam as Fake News, a desinformação de um modo geral, onde se aproveita para espalhar ódio, onde aparecem pessoas que sabem tudo e se julgam detentoras da verdade e a insegurança que todas estas situações provocam. Há uma carga negativa em relação à classe política, mas a classe política vem da sociedade civil e é ela que a elege. Há como sabe outras situações de corrupção fora da política mas esta pelo lugar que ocupa deve dar o exemplo.
No que diz respeito às Juntas de Freguesia o panorama é bastante diferente, em primeiro lugar os orçamentos são bastante diminutos e portanto pouco interessantes para quem queira fazer essa abordagem de pouca seriedade. Por outro lado, desenvolve-se uma política de grande proximidade, conhecem-se bem todas as pessoas com quem lidamos e toda a gente sabe quem somos. Eu tenho como máxima, nunca prometer o que não se consiga cumprir. Temos de ter uma noção de compromisso com os nossos eleitores e com todos os outros habitantes.

 

Considera que o aparecimento de novos partidos está relacionado com alguma lacuna por preencher deixada pelos partidos que disputaram os sucessivos governos democratas?
Penso que esses partidos surgem por algum descontentamento em relação aos políticos. É fácil, no entanto ostentarmos um discurso popular e dizer o que as pessoas querem ouvir, mas a duração não é longa porque em termos programáticos lhes falta sustentabilidade. Imagine que me procuram e me colocam alguns problemas e eu respondo que sim a tudo, passo a ser o melhor Presidente da Junta de Freguesia do mundo não é?

Sabemos que o tempo não estica e tem 24h para todos nós. Quantas horas do seu dia dedica à Junta de Freguesia e como consegue conciliar a famiília, profissão e ainda a Junta?
Sim, conciliar ser pai, marido, trabalhar numa empresa privada e ainda dedicar tempo à Junta muitas vezes não é fácil. A família é sempre a mais sacrificada.

Se lhe pedir que se defina com uma palavra, qual seria?
Honesto. Herdei dos meus pais esse principio e norteia todos os meus actos.

 

 



Quarta, 13 de Maio de 20