Hipotiroidismo Subclínico: O que é e como se manifesta


A tiróide é uma glândula, localizada no pescoço, à frente da traqueia. Produz hormonas tiroideias muito importantes na regulação do nosso corpo, que mexem com todos os nossos sistemas. Por isso as queixas da baixa da função tiroideia são muito extensas e repercutem-se em muitos sistemas e os doentes devem saber quais são estas queixas para que possam ser tratados por quem saiba de tiróide e não apenas sintomaticamente.

A patologia da tiróide é muito frequente. Um estudo publicado em 1997 pela clínica Mayo, revelou que 60% dos autopsiados tinham doença tiróideia e que 50% dos utentes aleatoriamente submetidos a estudo, revelaram lesões ecográficas. Hoje em dia dada a disrupção endócrina a que estamos sujeitos estimamos que cerca de 85% da população tenha sinais de hipotiroidismo subclínico, enquanto que menos de 8% apresentam alterações analíticas pelo que não são tratados, com maior risco de desenvolvimento de todas as patologias.

 

Sintomas e sinais de hipotiroidismo (baixa da função):

- Acordar com face inchada e olhos inchados;

- Dor e rigidez matinal das articulações;

- Mãos e pés frios, uma certa intolerância ao frio, necessitando de um “agasalho” quando todos os outros estão bem;

- Unhas secas e quebradiças de crescimento lento;

- Tendência para engordar comendo bem;

- Pele das palmas das mãos e pés amarelada;

- Pele seca da face, cotovelos, pernas (queratose folicular);

- Refluxo gastroesofágico, más digestões e prisão de ventre

Emocionalmente verifica-se:

- Tendência depressiva, ansiedade;

- Lentidão nos actos, pensamento “lento”;

- Facilmente distração, falta de memória, pouca atenção, baixo rendimento escolar com incapacidade de concentração.

Um sinal de diminuição da função tiróideia é a diminuição da temperatura basal, muitas vezes menos do que 36,7oc. Deve ser retirada na axila, antes de se levantar, após uma noite tranquila, sem alcóol e nas mulheres em idade fértil ao 2.o, 3.o ou 4.o dia de menstruação. A pílula, dado que aumenta a temperatura basal, invalida a execução deste teste.

 

Que exames efectuar:

Não vamos aqui detalhadamente referir as análises à tiróide e exames a efectuar. O seu médico saberá o que pedir. Vamos apenas referir por ser muito pouco pedido e dar informação importante que além das análises à tiróide tradicionais que efectuamos por rotina, há umas que indirectamente nos dão muita indicação da função tiróideia, e que deveriam ser sistematicamente determinadas, ao colocarmos a hipótese de um hipotiroidismo. São elas os carotenos e a vitamina A. Quando há diminuição da hormona T3 activa, os carotenos não conseguem ser transformados em Vitamina A, e verifica-se um aumento dos carotenos e uma baixa acentuada da vitamina A. Daí a coloração amarelada das palmas das mãos e pés que algumas vezes observamos. Outra análise importante é a reverse T3, dado que nos ajuda a decidir que tipo de hormona dar ao utente, embora em Portugal a maioria dos médicos só saiba utilizar a T4, hormona inactiva, que se não for activada, não melhorará o doente. E entre os suplementos importantes para esta activação está a levedura de selénio, que recomendo a todos fazerem pois os solos estão empobrecidos em selénio, daí esta pandemia de hipotiroidismo, também devida à disrupção endócrina como já referimos.

Entre as análises mais frequentemente efectuadas temos a TsH, T4 e T3 livres, anticorpos anti-tiroideus e anti-tireoglobulina, a calcitonina e a tireoglobulina. mas relembro que apenas 8% da população terá sinais analíticos, e que é a clínica que decidirá, juntamente com a ecografia tiroideia, o tratar ou não o doente.

 

Importância da alimentação correcta:

Em casos de baixa da função tiróideia, devemos evitar dietas de baixas calorias e gorduras, jejum, saltar refeições, ou mesmo dietas hiperproteicas tão usadas no emagrecimento mas que vão inibir a activação da hormona tiroideia. Devemos evitar “fast-food”, álcool, vinagre, bebidas cafeinadas, leite e seus derivados, excesso de proteínas animais, cereais ricos em fibra, poucas horas de sono, actividade física exaustiva.

 

Conclusão

É muito importante percebermos que para tratar a tiróide não é só “tomar um comprimido”, mas é necessário uma abordagem mais extensa: tratar o intestino, a alimentação, corrigir o sono, eliminar toxinas, verificar e corrigir a interrelação entre as outras hormonas. Os utentes devem conhecer as queixas de uma baixa da função tiroideia e estarem alertas para que possam tratar a causa em vez dos sintomas, procurando um médico adequado.

 

Por

Dra. Ivone Mirpuri

Médica Patologista Clínica especialista em Modulação Hormonal | Certificação em Medicina Anti-Envelhecimento pelo CENEGENICS, Las Vegas | Especialista em Medicina Anti-Envelhecimento e Modulação Hormonal pela WOSAAM e International Hormone Society

Quinta, 27 de Junho de 19