“Solidão - Há dois dias que não via ninguém”


Além do centro de dia, o apoio domiciliário sempre foi a resposta social preferida dos mais velhos, que mantêm a esperança de permanecerem nas suas casas o mais tempo possível, de manterem a liberdade de movimentos, mesmo que necessitem de ajuda. Circular pela casa, tocar nos seus objectos pessoais e, ainda por cima, terem oportunidade de dar um dedo de conversa aos técnicos que os visitam, é o sonho de quem tem mais de 80 e vai perdendo força para executar algumas tarefas. 

A AMACare Serviço Domiciliário é uma dessas respostas sociais, que consiste na prestação de cuidados alargados a quem deles necessite, no seu próprio domicílio. “Apresenta como foco central a qualidade de vida da pessoa e da família, com uma intervenção especializada e totalmente personalizada, respondendo às necessidades específicas de cada situação”, explica Henrique Alves Henriques, administrador e director executivo do Grupo H Saúde. “O acompanhamento personalizado, de acordo com a necessidade, poderá ir de uma situação pontual até 24 horas por dia, todos os dias do ano.” 

O principal objectivo destes serviços, segundo Henrique Alves Henriques, “vai muito além do cuidado básico do corpo”. Trata-se de um trabalho que pre- tende ter em conta o idoso no seu todo, o ambiente familiar, as necessidades, recursos e possibilidades de manutenção cognitiva e de consciência, “para garantir uma vida plena e satisfatória a quem, por questões de idade, dependência ou doença, já necessita do nosso auxílio”. “Sabemos que o idoso é o resultado de um conjunto de experiências pelas quais passou, que viveu, que sentiu e que construiu. Sabemos que vive a acreditar em crenças, a orgulhar- se de trajectos, a ambicionar caminhos e a continuar a ser pessoa, para todo o sempre. Parece-nos ser este o único caminho viável”, lembra o administrador do Grupo H Saúde, que integra a AMACare. “Acreditamos ser este o percurso que traz a serenidade que queremos que atinja as famílias que contam com o nosso apoio, e que nos depositam a confiança de fazermos da pessoa que cuidamos uma pessoa com direitos, com respeito, com dignidade.” 

Henrique Alves Henriques reproduz as histórias contadas pelas suas cuidadoras quando visitam os seus clientes. “Expressões como: “não se vá embora menina” ou “há dois dias que não via ninguém”, são avassaladoras. Há nestas expressões o peso das palavras e o vazio e tristeza no olhar. Um olhar que transparece uma expressão saudosista de uma vida que um dia foi diferente. Outrora, uma vida repleta de desafios profissionais, convivências familiares e amigos e que por vicissitudes da vida foram desaparecendo.” 

Contudo, de uma forma geral, os homens e mulheres acompanhados pelo AMACare “têm uma grande capacidade de resiliência resultante das dificuldades que foram ultrapassando durante a vida. “A solidão é sem dúvida uma realidade penosa, mas sempre que alguém os vai visitar e despende um pouco do seu tempo para os ouvir, é como se fosse um recarregar de baterias, numa simbiose de aprendizagens entre quem conta a sua história e quem a escuta". 

O compromisso com o bem-estar também passa pela prestação de uma panóplia de actividades que vai de encontro aos gostos e necessidades de cada um. “Dentro das ofertas de atividades lúdicas que praticamos com os nossos utentes estão os ateliers de culinária, pintura, leitura, escrita, música, actividades de desenvolvimento cognitivo, jogos tradicionais, comemoração de dias festivos, passeios e outros que possam ser sugeridos pelos utentes e seus familiares”. 

Para Henrique Alves Henriques, recorrer ao AMACare é possibilitar aos idosos manterem-se no conforto do seu lar, aliando o aconchego familiar à prestação de cuidados especializados e personaliza- dos. A relação de um colaborador para um idoso permite que o tempo seja gerido em função do tempo do idoso, num ambiente calmo e propício ao reforço da sua autonomia. É o idoso que gere o que quer, quando quer e como quer. 

São ali prestados serviços diversos, tais como o acompanhamento psicológico, actividades de lazer; administração de medicamentos; análises clínicas; apoio familiar; apoio na refeição; aquisições de bens e serviços; estimulação cognitiva; fornecimento de ajudas técnicas; fornecimento de medicamentos; higiene e conforto; limpeza e manutenção do lar; preparação e confecção de refeições; serviço de cabeleireiro e outros serviços estéticos; serviço de fisioterapia; serviço de lavandaria; serviços clínicos; serviços de enfermagem; e treino de autonomia e mobilidade. 



Fonte: Artigo “Pandemia deixa mais velhos encolhidos de tristeza” em suplemento especial “Saúde e Bem Estar” da edição 1913 do Jornal de Leiria, de 11 de março de 2021.

Segunda, 15 de Março de 21