Sorrir com os olhos
Os nossos gestos e expressões foram desde sempre usados para comunicar e acompanhar o que dizemos. Muitas vezes a palavra passa até a ser secundária porque uma expressão é capaz de exprimir com mais precisão o que sentimos.
A Pandemia e o uso obrigatório das máscaras, para nos protegermos bem, tapou parcialmente os nossos rostos e estes perderam grande parte da expressão. Quando sorrimos, a nossa boca, bem como grande parte da nossa face estão ocultas e se calhar pensamos: Para quê sorrir se ninguém vê?
Podemos até ter todos os motivos para não sorrir. Os media relatam várias vezes ao dia que muitas vidas se encontram suspensas por causas várias : o desemprego, a doença, falecimento de familiares, a solidão, entre outros.
Mas, como não podemos nem devemos desistir e estamos juntos nesta batalha cai sobre todos a responsabilidade de a ultrapassar da melhor maneira possível, erguendo o nosso melhor e todas as nossas forças.
O caminho passa sempre por nos questionarmos sobre as lições que retiramos destes tempos. E a maior será que antes talvez nos deixássemos arrastar sem noção do que realmente importa na vida: o sermos precisamente seres humanos.
No outro dia ouvi umas frases proferidas pelo Papa Francisco que me fizeram pensar. Dizia ele: não considerem importante ajudar o próximo, é preferível tratarem o outro com proximidade e já estarão a ajudá-lo melhor.
De nada adianta, elaborarmos listas com as coisas que nos fazem falta, a melhor atitude é repararmos que essas mesmas coisas talvez não fossem devidamente valorizadas no passado.
E só quando percebermos os erros é que nos tornamos melhores e consequentemente mais fortes.
Adiávamos as visitas aos nossos familiares, adiávamos encontros com amigos. e agora que estamos , muitos de nós, disso impedidos, conseguimos repor as verdadeiras prioridades da vida?
Conseguimos ser gentis e tratar o outro com proximidade?
Com o uso de máscaras é verdade que a nossa comunicação facial levou um grande abalo. Antes um sorriso era suficiente para agradecermos ou sermos simpáticos e agora que poderemos fazer?
Como um cego que passa a ouvir melhor para suprir a falta da visão , para suprir a falta do sorriso temos de aprender a olhar melhor. Não fossem os olhos espelhos da alma, como lhes chamam os poetas.
Há portanto que aprender a sorrir com os olhos, vital nestes difíceis tempos e para quem quer aprender a sorrir da maneira mais, verdadeira e honesta possível. Quando os olhos fazem parte do que queremos exprimir e não apenas a boca, a felicidade passa através do olhar e mais , torna-se impossível fingir. Quando sorri com os olhos está realmente feliz e o seu interlocutor percebe, pode ter a certeza.
Experimente; ponha a máscara e sorria ao espelho, mas sorria a pensar numa coisa verdadeiramente boa para si. Pense em quem ama, em quem lhe faz bem, do que gosta de fazer. Seja Feliz, sempre... e agora com mascara!
O momento difícil que o mundo atravessa, deve ser um tempo, de aprendizagem, para nos guiarmos a sermos cada vez melhores, praticando o bem e criando uma cadeia de união global.
Adapte-se... Sorria com os olhos!
Henrique Alves Henriques
Diretor Executivo do Grupo H Saúde